Um outro olhar sobre o mundo
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
A educação na Finlândia
Novo artigo sobre educação de Guilherme Valente saído na segunda-feira no jornal "Público":
1. A educação finlandesa é um exemplo de exigência, de combate ao facilitismo, de responsabilidade, de anti-eduquês, afinal. Um exemplo do que o "milagre" da educação pode realizar.
Essa exigência na educação e, designadamente, o rigor, sem complacência, na aplicação e no uso dos recursos materiais disponíveis, transformaram, em poucos anos, a Finlândia.
Podemos fazer o mesmo em Portugal.
2. Numa entrevista ao jornal Público (1/4/11), Jouni Valijarvi, director do Instituto Finlandês para a Investigação em Educação, como que ilustrando o que tenho escrito, referiu-se às condições que explicam o êxito do sistema educativo finlandês:
"É mais eficaz chumbar um aluno na primária do que depois, porque é quando estão a ser dadas as bases".
E eu acrescento: e é um sinal a dizer aos alunos que vêm para a escola para trabalhar e aprender. Um sinal, também para os professores e os pais, que marcará a atitude e o percurso escolar da criança.
Entre nós passa-se o oposto: os alunos apercebem-se e interiorizam rapidamente que pouco lhes é realmente exigido. Pelo ambiente que encontram na escola, mas mesmo pelo que explicitamente é disseminado: "a sala de aula é o prolongamento do recreio", não é esta uma das ideias veículadas nas escolas de formação de professores do eduquês? O que podem contra isto mesmo docentes, mesmo os mais lúcidos e empenhados?
O que acontece é que, ao invés dos animais, que seleccionam, afinam, na longa duração mecanismos naturais de adaptação ao meio ambiente, o ser humano dispõe de um mecanismo de adaptação rápido, cultural. Assim, quando entra na escola, a criança, mesmo a que chega mais motivada e responsável, apercebe-se, muito rapidamente, ter de se adaptar a essa nova realidade: permissiva, desresponsabilizadora, facilitista, sem desafios, imbecilizante. Adaptar-se para sobreviver.
Poucos resistem a esse clima envolvente. Só os mais dotados ou com pais que acompanham com exigência o seu percurso escolar. Por isso, as vitimas da escola do eduquês são sobretudo os mais desfavorecidos.
Segundo Jouni Valijarvi, o ensino no seu país não está mais centrado no bem-estar da criança do que nos resultados académicos. Embora, naturalmente, haja preocupação com o bem-estar da criança, a razão de ser da escola "reside na área cognitiva", "visando atingir níveis exigentes no campo da escrita, da leitura e da matemática". Matemática "também já importante na pré-primária".
Na Finlândia, "(...) os professores estão motivados e bem preparados e têm autonomia" para trabalharem com eficácia. E o que é um professor bom para os alunos e para o sistema? O professor é bom "quando domina a matéria que deve ensinar".
Algo de óbvio, que só a cegueira ideológica não quer ver. Em vez de preparar os professores no domínio das matérias relevantes a leccionar, as escolas de formação do eduquês encharcam-nos corm "pedagogias" confirmadamente insensatas e nocivas. Dar voz aos docentes que nesses cursos e escolas discordam dessa orientação cujo jugo lhes é imposto é um imperativo de inteligência, progresso e liberdade.
Na Finlândia, o professor acompanha a criança durante seis anos! Sem o absurdo do excesso de "disciplinas" que impede os alunos de estudarem e aprenderem o essencial, aquilo que é culturalmente enriquecedor e socialmente útil, de adquirirem, antes de mais, o domínio dos instrumentos, a informação, o treino de trabalho, que lhes permitirão aprender tudo e cultivar o espírito crítico.
Na Finlândia, além de dominar os programas para ensinar bem, o professor tem ainda tempo "para se interessar pelos alunos e para estar disposto a ter com eles conversas que lhes digam algo", a fim de "os ajudar na escolha do caminho que vão seguir, discutindo o porquê das suas escolhas". Professores libertos das inutilidades e da burocracia com que nas nossas escolas, inundadas por labirintica legislação, se condiciona a função inestimável que deve ser a deles.
"Turmas pequenas, 21 alunos por turma na primária, em media. No secundário, 19", indica Jouni Valijarvi. Não menos, reservando recursos para criar "sempre mais apoios para os alunos que deles necessitam, de acordo com o contexto de cada escola".(Note-se que há escolas na Finlândia com 15% de alunos imigrantes.)
Problema que no nosso país o ME, servindo, afinal, o interesse próprio da nomenclatura que o tem comandado, sempre dificultou que as escolas enfrentassem, não deixando que cada uma avalie e adopte autonomamente as necessidades próprias e respectivas soluções.
Uma vantagem decisiva das escolas privadas.
A Finlândia é um dos países onde os alunos passam menos tempo na escola.
"Quando se está na escola, está-se concentrado na escola. Quando se vai fazer outra coisa são tempos perfeitamente separados" , diz Jouni Valijarvi.
3. Quando estive no Conselho Nacional de Educação, propus, na comissão que integrava, um projecto que mobilizasse a escola e a sociedade para um objectivo tão simples quanto essencial: que nenhuma crianca terminasse o ensino básico sem dominar a leitura, a escrita e as operações matemáticas elementares.
Resposta dos eduqueses que dominam aquele indescritível Conselho: "Queremos muito mais, queremos fazer cidadãos" (!?).
Trinta por cento das crianças saem do ensino básico sem saber ler, nem escrever, nem contar. Cidadãos... analfabetos?
Guilherme Valente
1. A educação finlandesa é um exemplo de exigência, de combate ao facilitismo, de responsabilidade, de anti-eduquês, afinal. Um exemplo do que o "milagre" da educação pode realizar.
Essa exigência na educação e, designadamente, o rigor, sem complacência, na aplicação e no uso dos recursos materiais disponíveis, transformaram, em poucos anos, a Finlândia.
Podemos fazer o mesmo em Portugal.
2. Numa entrevista ao jornal Público (1/4/11), Jouni Valijarvi, director do Instituto Finlandês para a Investigação em Educação, como que ilustrando o que tenho escrito, referiu-se às condições que explicam o êxito do sistema educativo finlandês:
"É mais eficaz chumbar um aluno na primária do que depois, porque é quando estão a ser dadas as bases".
E eu acrescento: e é um sinal a dizer aos alunos que vêm para a escola para trabalhar e aprender. Um sinal, também para os professores e os pais, que marcará a atitude e o percurso escolar da criança.
Entre nós passa-se o oposto: os alunos apercebem-se e interiorizam rapidamente que pouco lhes é realmente exigido. Pelo ambiente que encontram na escola, mas mesmo pelo que explicitamente é disseminado: "a sala de aula é o prolongamento do recreio", não é esta uma das ideias veículadas nas escolas de formação de professores do eduquês? O que podem contra isto mesmo docentes, mesmo os mais lúcidos e empenhados?
O que acontece é que, ao invés dos animais, que seleccionam, afinam, na longa duração mecanismos naturais de adaptação ao meio ambiente, o ser humano dispõe de um mecanismo de adaptação rápido, cultural. Assim, quando entra na escola, a criança, mesmo a que chega mais motivada e responsável, apercebe-se, muito rapidamente, ter de se adaptar a essa nova realidade: permissiva, desresponsabilizadora, facilitista, sem desafios, imbecilizante. Adaptar-se para sobreviver.
Poucos resistem a esse clima envolvente. Só os mais dotados ou com pais que acompanham com exigência o seu percurso escolar. Por isso, as vitimas da escola do eduquês são sobretudo os mais desfavorecidos.
Segundo Jouni Valijarvi, o ensino no seu país não está mais centrado no bem-estar da criança do que nos resultados académicos. Embora, naturalmente, haja preocupação com o bem-estar da criança, a razão de ser da escola "reside na área cognitiva", "visando atingir níveis exigentes no campo da escrita, da leitura e da matemática". Matemática "também já importante na pré-primária".
Na Finlândia, "(...) os professores estão motivados e bem preparados e têm autonomia" para trabalharem com eficácia. E o que é um professor bom para os alunos e para o sistema? O professor é bom "quando domina a matéria que deve ensinar".
Algo de óbvio, que só a cegueira ideológica não quer ver. Em vez de preparar os professores no domínio das matérias relevantes a leccionar, as escolas de formação do eduquês encharcam-nos corm "pedagogias" confirmadamente insensatas e nocivas. Dar voz aos docentes que nesses cursos e escolas discordam dessa orientação cujo jugo lhes é imposto é um imperativo de inteligência, progresso e liberdade.
Na Finlândia, o professor acompanha a criança durante seis anos! Sem o absurdo do excesso de "disciplinas" que impede os alunos de estudarem e aprenderem o essencial, aquilo que é culturalmente enriquecedor e socialmente útil, de adquirirem, antes de mais, o domínio dos instrumentos, a informação, o treino de trabalho, que lhes permitirão aprender tudo e cultivar o espírito crítico.
Na Finlândia, além de dominar os programas para ensinar bem, o professor tem ainda tempo "para se interessar pelos alunos e para estar disposto a ter com eles conversas que lhes digam algo", a fim de "os ajudar na escolha do caminho que vão seguir, discutindo o porquê das suas escolhas". Professores libertos das inutilidades e da burocracia com que nas nossas escolas, inundadas por labirintica legislação, se condiciona a função inestimável que deve ser a deles.
"Turmas pequenas, 21 alunos por turma na primária, em media. No secundário, 19", indica Jouni Valijarvi. Não menos, reservando recursos para criar "sempre mais apoios para os alunos que deles necessitam, de acordo com o contexto de cada escola".(Note-se que há escolas na Finlândia com 15% de alunos imigrantes.)
Problema que no nosso país o ME, servindo, afinal, o interesse próprio da nomenclatura que o tem comandado, sempre dificultou que as escolas enfrentassem, não deixando que cada uma avalie e adopte autonomamente as necessidades próprias e respectivas soluções.
Uma vantagem decisiva das escolas privadas.
A Finlândia é um dos países onde os alunos passam menos tempo na escola.
"Quando se está na escola, está-se concentrado na escola. Quando se vai fazer outra coisa são tempos perfeitamente separados" , diz Jouni Valijarvi.
3. Quando estive no Conselho Nacional de Educação, propus, na comissão que integrava, um projecto que mobilizasse a escola e a sociedade para um objectivo tão simples quanto essencial: que nenhuma crianca terminasse o ensino básico sem dominar a leitura, a escrita e as operações matemáticas elementares.
Resposta dos eduqueses que dominam aquele indescritível Conselho: "Queremos muito mais, queremos fazer cidadãos" (!?).
Trinta por cento das crianças saem do ensino básico sem saber ler, nem escrever, nem contar. Cidadãos... analfabetos?
Guilherme Valente
domingo, 24 de julho de 2011
Morreu Lucian Freud (1922 - 2011)

Devem recordar-se de Lucian Freud das aulas de Estética e deste quadro em particular, o mais caro de um pintor vivo (23 milhões de dólares). Pois aquele que era um dos melhores intérpretes da "carne humana" morreu no passado dia 20 de Julho.
terça-feira, 12 de julho de 2011
Entre o real e o virtual
O que é real e o que é virtual? Como encarar o virtual quando ele é tratado como real? Acabaram as fronteiras? Tudo é real?
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Ensaio sobre a morte
Apesar do título, é um pequeno e interessante livro para ler em férias... (principalmente para os alunos que fizeram o trabalho sobre eutanásia).


quinta-feira, 7 de julho de 2011
segunda-feira, 27 de junho de 2011
E.T. de Steven Spielberg dia 16 ao ar livre
Estive a rever o ET de Steven Spielberg. Continuo a pensar que devia ser obrigatório na formação de todos.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
UMA EXPERIÊNCIA ESTÉTICA...
Fiona Lummis e Damien Welch, dois “vulgares” bailarinos numa peça de um coreógrafo holandês pouco vulgar, nascido em 1932: Hans Van Manen.
Vi esta coreografia pela primeira vez há pouco tempo, fruto das correntes conversas começadas por: “Tenho uma coisa que deves gostar...”
A verdade é que gostei mesmo. Devo dizer, foi aquilo que penso ser digno de uma “experiência estética” (embora a designação não me agrade especialmente).
É incrível a forma como os dois corpos se completam, como se conseguíssemos ver um laço fluido e quase inquebrável entre eles. Tudo conta: o olhar, os braços em posições estudadas e intensas, as pernas fortes (mas não por isso pouco graciosas) que agem como se fossem o prolongamento dos sentimentos, o tocar e o aproximar… Faz tudo parte de um movimento só.
O movimento que se segue é quase sempre inesperado, o que me provoca a sensação de que há sempre um pormenor novo de cada vez que vejo a peça…
Admito que cheguei a acreditar que os dois bailarinos tinham já vivido uma grande história de anos em conjunto. E isso é extremamente difícil: fazer acreditar que se ama alguém. Esqueçamos as histórias de amor dramático das telenovelas e de alguns filmes; não, aqui parece-se amar de verdade, transmite-se a necessidade de cuidar de alguém sem que seja necessário falar, desgastando ainda mais a afirmação tão esperada, “Amo-te”.
Fico com um misto de sentimentos. Um estranho nó na garganta, um suspiro apaixonado e a típica esperança de que “quando for grande vou ser assim” que me deixa com vontade de tentar fazer qualquer coisa parecida durante os dias seguintes, e isso é bom sinal… A grande conquista não é provocar alguma espécie de resposta no público? Ainda que seja uma opinião negativa? Provocar um distanciamento da realidade?
E este é o meu momento. O momento em que tudo funciona: o acompanhamento de John Cage (em perfeita harmonia e sintonia com cada um dos pequenos movimentos), a peça de Van Manen e o movimento de um só corpo.
Catarina Silva
10ºCT3
sábado, 18 de junho de 2011
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Vampiros a sério
Para quem gosta de vampiros e não se deixa impressionar pelas imitações baratas e acéfalas como Crepúsculo e derivados, aqui ficam os dois primeiros volumes da trilogia de Guillermo Del Toro (sim, o realizador de cinema) e Chuck Hogan.

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